Mah, você lembra aquele dia que eu sai tarde de casa, escondido da minha mãe só pra ir te ver, e no meio do caminho peguei uma chuva danada de bicicleta e mesmo todo molhado você me deu um abraço apertado quando cheguei?
Aquilo era amor Mah.
Ali, longe de problemas do trabalho ou faculdade, onde um pastel da Sonia era suficiente pra matar nossa fome de comida enquanto nada no mundo matava nossa fome de sexo. Ali, sem carro, sem dinheiro, sem preocupações, era só amor.
O tempo passou Mah. E a gente se perdeu no caminho.
quarta-feira, 23 de março de 2016
#77
Quase nunca reclamava de suas decepções amorosas, mas porque a mania de envolve-las em trilhas sonoras?
Essa quase que necessidade de musificar tudo, e com música boa ainda por cima, o obrigava a lembrar de alguém sempre que tocava Bogotá, lounge, luzes da cidade e tantas outras.. E o que dizer do CD todo de Cícero? Nessa historia já tinha comprometido uma boa parcela de sua playlist de favoritos no spotify.
Fora as vezes em que esbarrava com aquele cantor nos bares da vida, com aquele mesmo repertório, que por vezes ainda vinha acompanhado de um antigo amor também prestigiado o show e a cerveja gelada.
Talvez por isso buscasse naqueles dias Musicalidades diferentes para preencher um vazio que atormentava sua alma.
E também talvez essa dica pudesse vir dos lábios daquela morena da mesa da frente, que cantarolava "mãe Alice" sem tirar aqueles olhos negros dos dele.
Essa quase que necessidade de musificar tudo, e com música boa ainda por cima, o obrigava a lembrar de alguém sempre que tocava Bogotá, lounge, luzes da cidade e tantas outras.. E o que dizer do CD todo de Cícero? Nessa historia já tinha comprometido uma boa parcela de sua playlist de favoritos no spotify.
Fora as vezes em que esbarrava com aquele cantor nos bares da vida, com aquele mesmo repertório, que por vezes ainda vinha acompanhado de um antigo amor também prestigiado o show e a cerveja gelada.
Talvez por isso buscasse naqueles dias Musicalidades diferentes para preencher um vazio que atormentava sua alma.
E também talvez essa dica pudesse vir dos lábios daquela morena da mesa da frente, que cantarolava "mãe Alice" sem tirar aqueles olhos negros dos dele.
#76
De você, já estou vacinado!
Já não penso em você toda hora, e nem lembro de você quando como aquele pavê de abacaxi no almoço de domingo.
Deixei pra lá aquela mania de querer saber do seu dia, conversar sobre banalidades e te mandar fotos de coisas estranhas na rua.
Nem te digo mais qual livro to lendo, e se vale a pena você incluir na sua lista sem fim. Ou penso em ligar pra saber se você já assistiu o último episódio de GOT, pra dissecarmos o quão fanfarrão eh esse tal de R. R. Martin.
E por incrível que pareça, já não falo o quão você é incrível quando estou com meus amigos na mesa de bar.
É, morena.. De você estou vacinado.
Mas chega pra lá com esse papo mole, que pode ser que essa vacina ainda não tenha feito tanto efeito assim.
Já não penso em você toda hora, e nem lembro de você quando como aquele pavê de abacaxi no almoço de domingo.
Deixei pra lá aquela mania de querer saber do seu dia, conversar sobre banalidades e te mandar fotos de coisas estranhas na rua.
Nem te digo mais qual livro to lendo, e se vale a pena você incluir na sua lista sem fim. Ou penso em ligar pra saber se você já assistiu o último episódio de GOT, pra dissecarmos o quão fanfarrão eh esse tal de R. R. Martin.
E por incrível que pareça, já não falo o quão você é incrível quando estou com meus amigos na mesa de bar.
É, morena.. De você estou vacinado.
Mas chega pra lá com esse papo mole, que pode ser que essa vacina ainda não tenha feito tanto efeito assim.
#75
Ela não queria saber do café.
Entrou no apartamento e foi direto pra geladeira, pegou aquela cerveja geladíssima guardada naquela gavetinha embaixo do freezer que ninguém sabe direito pra que serve, mas ela encontrou a utilidade perfeita.
O dia tinha sido bom, e ela queria manter assim. Nada de deixar a tristeza bater ao chegar em casa e se ver sozinha diante da paisagem urbana dos altos edifícios que cercava a Varandinha de seu AP. Um achado, num prédio antigo e sem elevador, bem no coração da cidade.
Colocou uma música alta que poderia até incomodar os vizinhos, mas não ligou. Começou a adiantar o pouco trabalho que tinha trazido pra casa, e depois ficou igual uma louca dançando sozinha na sala vendo o dvd do coldplay na TV.
Foi quando ouviu umas batidas tímidas na porta, quase inaudíveis em meio aos seus próprios gritos acompanhando "viva lá vida". E não entendeu nada quando abriu a porta e deu de cara com aquele rapaz de camisa cinza e boné vermelho, com uma barba cerrada e sorriso sem jeito, que já chegou dizendo:
- Oi, desculpa. Eh que ouvi a musica, e sou novo aqui no prédio, queria saber se posso participar da festinha. Olha, trouxe até cerveja !
Foi então que sorriu meio que dizendo que sim. E pensando que talvez de agora em diante pudesse fugir da solidão a dois.
Entrou no apartamento e foi direto pra geladeira, pegou aquela cerveja geladíssima guardada naquela gavetinha embaixo do freezer que ninguém sabe direito pra que serve, mas ela encontrou a utilidade perfeita.
O dia tinha sido bom, e ela queria manter assim. Nada de deixar a tristeza bater ao chegar em casa e se ver sozinha diante da paisagem urbana dos altos edifícios que cercava a Varandinha de seu AP. Um achado, num prédio antigo e sem elevador, bem no coração da cidade.
Colocou uma música alta que poderia até incomodar os vizinhos, mas não ligou. Começou a adiantar o pouco trabalho que tinha trazido pra casa, e depois ficou igual uma louca dançando sozinha na sala vendo o dvd do coldplay na TV.
Foi quando ouviu umas batidas tímidas na porta, quase inaudíveis em meio aos seus próprios gritos acompanhando "viva lá vida". E não entendeu nada quando abriu a porta e deu de cara com aquele rapaz de camisa cinza e boné vermelho, com uma barba cerrada e sorriso sem jeito, que já chegou dizendo:
- Oi, desculpa. Eh que ouvi a musica, e sou novo aqui no prédio, queria saber se posso participar da festinha. Olha, trouxe até cerveja !
Foi então que sorriu meio que dizendo que sim. E pensando que talvez de agora em diante pudesse fugir da solidão a dois.
#74
"É que eu gosto de uma bagaceira - disse logo depois de apresenta-la a johnny hooker, figura repetida em sua playlist do spotify.
Enquanto ele reabastecia as taças de vinho, ela se perdeu no dia em que se conheceram, e sorriu lembrando que nunca deu tão certo entrar sala errada na faculdade.
Gostei dessas iluminação nova da varanda - ela comentou.
Eu também.. Essa luz cumprida ficou tão bonita em você daqui - respondeu parafraseando Cícero e completando com um beijo na testa enquanto afastava seu cabelo do rosto.
E analisando a cena, ela percebeu que a ecleticidade era uma das coisas que mais gostava nele. Mas o jeito que ele fazia com que se sentisse amada, era a razão de se apaixonar todos os dias perdidamente."
Enquanto ele reabastecia as taças de vinho, ela se perdeu no dia em que se conheceram, e sorriu lembrando que nunca deu tão certo entrar sala errada na faculdade.
Gostei dessas iluminação nova da varanda - ela comentou.
Eu também.. Essa luz cumprida ficou tão bonita em você daqui - respondeu parafraseando Cícero e completando com um beijo na testa enquanto afastava seu cabelo do rosto.
E analisando a cena, ela percebeu que a ecleticidade era uma das coisas que mais gostava nele. Mas o jeito que ele fazia com que se sentisse amada, era a razão de se apaixonar todos os dias perdidamente."
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
#73
Era quase religioso.
Quando se aproximava das seis da tarde, parava o que quer que estivesse fazendo, e ia pra casa.
Ele podia levar algum trabalho, ou até ter que voltar pro escritório depois de um tempo, mas ao entardecer, tinha seu momento de reflexão. Chegava e largava a mochila sob a primeira cadeira a vista, e logo se dirigia ao armário para preparar o café. Colocava ainda inexperiente a água e o pó na cafeteira, presente de casa nova, e ia pra varanda com seu cigarro enquanto esperava o aroma do café denunciar que o ciclo tinha terminado.
E ali, naquela varanda, com o sol se pondo por trás das arvores, pensava sobre tudo.
Sobre o quão sobrecarregado estava no trabalho, sobre a falta que fazia estar de bem consigo mesmo, e sobre ela.
Ela que mal chegou, e nem deveria habitar seus pensamentos, era presença cativa em qualquer situação imaginária. Foram apenas algumas semanas, mas as melhores "algumas semanas" de muito tempo. Ele demorou a se entregar, até porque vinha de um longo relacionamento, e sabia que aquela menina, ainda mais nova que ele, não suportaria seu modo de ver e viver as coisas. Ele sempre soube que eram incompatíveis.
Ela, por sua vez, não perdoou. Insistiu, mostrou que podia dar certo, demonstrou não ligar para suas alternâncias de humor e pensamentos, e até pareceu gostar do que por vez ou outra ele arriscava escrever num bloco de notas aleatório. Tanto fez, que o ganhou de vez.
Mas eles eram muito parecidos. Se falavam durante todo dia, se ligavam todas as tardes, e nunca faltava assunto. Tão iguais que ele nem percebeu quando ela se sentiu segura, e por isso pisou no freio da relação.
Hoje, não se falam mais, não se veem mais, e só restou o vazio.
Pra ele. Porque dela, já não tinha noticias a meses.
Quando se aproximava das seis da tarde, parava o que quer que estivesse fazendo, e ia pra casa.
Ele podia levar algum trabalho, ou até ter que voltar pro escritório depois de um tempo, mas ao entardecer, tinha seu momento de reflexão. Chegava e largava a mochila sob a primeira cadeira a vista, e logo se dirigia ao armário para preparar o café. Colocava ainda inexperiente a água e o pó na cafeteira, presente de casa nova, e ia pra varanda com seu cigarro enquanto esperava o aroma do café denunciar que o ciclo tinha terminado.
E ali, naquela varanda, com o sol se pondo por trás das arvores, pensava sobre tudo.
Sobre o quão sobrecarregado estava no trabalho, sobre a falta que fazia estar de bem consigo mesmo, e sobre ela.
Ela que mal chegou, e nem deveria habitar seus pensamentos, era presença cativa em qualquer situação imaginária. Foram apenas algumas semanas, mas as melhores "algumas semanas" de muito tempo. Ele demorou a se entregar, até porque vinha de um longo relacionamento, e sabia que aquela menina, ainda mais nova que ele, não suportaria seu modo de ver e viver as coisas. Ele sempre soube que eram incompatíveis.
Ela, por sua vez, não perdoou. Insistiu, mostrou que podia dar certo, demonstrou não ligar para suas alternâncias de humor e pensamentos, e até pareceu gostar do que por vez ou outra ele arriscava escrever num bloco de notas aleatório. Tanto fez, que o ganhou de vez.
Mas eles eram muito parecidos. Se falavam durante todo dia, se ligavam todas as tardes, e nunca faltava assunto. Tão iguais que ele nem percebeu quando ela se sentiu segura, e por isso pisou no freio da relação.
Hoje, não se falam mais, não se veem mais, e só restou o vazio.
Pra ele. Porque dela, já não tinha noticias a meses.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
#72 - deixa.
Enquanto pagava a conta do bar, percebeu mais uma vez que precisava de uma carteira nova.
Aquela velha, surrada, que já estava com ele a longos anos e tinha vivido muitas histórias, não se aguentava mais, e por vezes se desfazia ao abrir.
"- Crédito ou débito? - perguntou o garçon?
- Coloca no crédito que depois a gente resolve."
E viu que tudo era assim em sua vida.
Depois a gente resolve. Se era difícil achar a carteira ideal, daquelas que coubesse todos os cartões, identidade, o (pouco) dinheiro, que fosse compacta e não incomodasse quando no bolso, imagina o tal do amor.
Deixa pra depois..
Aquela velha, surrada, que já estava com ele a longos anos e tinha vivido muitas histórias, não se aguentava mais, e por vezes se desfazia ao abrir.
"- Crédito ou débito? - perguntou o garçon?
- Coloca no crédito que depois a gente resolve."
E viu que tudo era assim em sua vida.
Depois a gente resolve. Se era difícil achar a carteira ideal, daquelas que coubesse todos os cartões, identidade, o (pouco) dinheiro, que fosse compacta e não incomodasse quando no bolso, imagina o tal do amor.
Deixa pra depois..
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