De você, já estou vacinado!
Já não penso em você toda hora, e nem lembro de você quando como aquele pavê de abacaxi no almoço de domingo.
Deixei pra lá aquela mania de querer saber do seu dia, conversar sobre banalidades e te mandar fotos de coisas estranhas na rua.
Nem te digo mais qual livro to lendo, e se vale a pena você incluir na sua lista sem fim. Ou penso em ligar pra saber se você já assistiu o último episódio de GOT, pra dissecarmos o quão fanfarrão eh esse tal de R. R. Martin.
E por incrível que pareça, já não falo o quão você é incrível quando estou com meus amigos na mesa de bar.
É, morena.. De você estou vacinado.
Mas chega pra lá com esse papo mole, que pode ser que essa vacina ainda não tenha feito tanto efeito assim.
quarta-feira, 23 de março de 2016
#75
Ela não queria saber do café.
Entrou no apartamento e foi direto pra geladeira, pegou aquela cerveja geladíssima guardada naquela gavetinha embaixo do freezer que ninguém sabe direito pra que serve, mas ela encontrou a utilidade perfeita.
O dia tinha sido bom, e ela queria manter assim. Nada de deixar a tristeza bater ao chegar em casa e se ver sozinha diante da paisagem urbana dos altos edifícios que cercava a Varandinha de seu AP. Um achado, num prédio antigo e sem elevador, bem no coração da cidade.
Colocou uma música alta que poderia até incomodar os vizinhos, mas não ligou. Começou a adiantar o pouco trabalho que tinha trazido pra casa, e depois ficou igual uma louca dançando sozinha na sala vendo o dvd do coldplay na TV.
Foi quando ouviu umas batidas tímidas na porta, quase inaudíveis em meio aos seus próprios gritos acompanhando "viva lá vida". E não entendeu nada quando abriu a porta e deu de cara com aquele rapaz de camisa cinza e boné vermelho, com uma barba cerrada e sorriso sem jeito, que já chegou dizendo:
- Oi, desculpa. Eh que ouvi a musica, e sou novo aqui no prédio, queria saber se posso participar da festinha. Olha, trouxe até cerveja !
Foi então que sorriu meio que dizendo que sim. E pensando que talvez de agora em diante pudesse fugir da solidão a dois.
Entrou no apartamento e foi direto pra geladeira, pegou aquela cerveja geladíssima guardada naquela gavetinha embaixo do freezer que ninguém sabe direito pra que serve, mas ela encontrou a utilidade perfeita.
O dia tinha sido bom, e ela queria manter assim. Nada de deixar a tristeza bater ao chegar em casa e se ver sozinha diante da paisagem urbana dos altos edifícios que cercava a Varandinha de seu AP. Um achado, num prédio antigo e sem elevador, bem no coração da cidade.
Colocou uma música alta que poderia até incomodar os vizinhos, mas não ligou. Começou a adiantar o pouco trabalho que tinha trazido pra casa, e depois ficou igual uma louca dançando sozinha na sala vendo o dvd do coldplay na TV.
Foi quando ouviu umas batidas tímidas na porta, quase inaudíveis em meio aos seus próprios gritos acompanhando "viva lá vida". E não entendeu nada quando abriu a porta e deu de cara com aquele rapaz de camisa cinza e boné vermelho, com uma barba cerrada e sorriso sem jeito, que já chegou dizendo:
- Oi, desculpa. Eh que ouvi a musica, e sou novo aqui no prédio, queria saber se posso participar da festinha. Olha, trouxe até cerveja !
Foi então que sorriu meio que dizendo que sim. E pensando que talvez de agora em diante pudesse fugir da solidão a dois.
#74
"É que eu gosto de uma bagaceira - disse logo depois de apresenta-la a johnny hooker, figura repetida em sua playlist do spotify.
Enquanto ele reabastecia as taças de vinho, ela se perdeu no dia em que se conheceram, e sorriu lembrando que nunca deu tão certo entrar sala errada na faculdade.
Gostei dessas iluminação nova da varanda - ela comentou.
Eu também.. Essa luz cumprida ficou tão bonita em você daqui - respondeu parafraseando Cícero e completando com um beijo na testa enquanto afastava seu cabelo do rosto.
E analisando a cena, ela percebeu que a ecleticidade era uma das coisas que mais gostava nele. Mas o jeito que ele fazia com que se sentisse amada, era a razão de se apaixonar todos os dias perdidamente."
Enquanto ele reabastecia as taças de vinho, ela se perdeu no dia em que se conheceram, e sorriu lembrando que nunca deu tão certo entrar sala errada na faculdade.
Gostei dessas iluminação nova da varanda - ela comentou.
Eu também.. Essa luz cumprida ficou tão bonita em você daqui - respondeu parafraseando Cícero e completando com um beijo na testa enquanto afastava seu cabelo do rosto.
E analisando a cena, ela percebeu que a ecleticidade era uma das coisas que mais gostava nele. Mas o jeito que ele fazia com que se sentisse amada, era a razão de se apaixonar todos os dias perdidamente."
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
#73
Era quase religioso.
Quando se aproximava das seis da tarde, parava o que quer que estivesse fazendo, e ia pra casa.
Ele podia levar algum trabalho, ou até ter que voltar pro escritório depois de um tempo, mas ao entardecer, tinha seu momento de reflexão. Chegava e largava a mochila sob a primeira cadeira a vista, e logo se dirigia ao armário para preparar o café. Colocava ainda inexperiente a água e o pó na cafeteira, presente de casa nova, e ia pra varanda com seu cigarro enquanto esperava o aroma do café denunciar que o ciclo tinha terminado.
E ali, naquela varanda, com o sol se pondo por trás das arvores, pensava sobre tudo.
Sobre o quão sobrecarregado estava no trabalho, sobre a falta que fazia estar de bem consigo mesmo, e sobre ela.
Ela que mal chegou, e nem deveria habitar seus pensamentos, era presença cativa em qualquer situação imaginária. Foram apenas algumas semanas, mas as melhores "algumas semanas" de muito tempo. Ele demorou a se entregar, até porque vinha de um longo relacionamento, e sabia que aquela menina, ainda mais nova que ele, não suportaria seu modo de ver e viver as coisas. Ele sempre soube que eram incompatíveis.
Ela, por sua vez, não perdoou. Insistiu, mostrou que podia dar certo, demonstrou não ligar para suas alternâncias de humor e pensamentos, e até pareceu gostar do que por vez ou outra ele arriscava escrever num bloco de notas aleatório. Tanto fez, que o ganhou de vez.
Mas eles eram muito parecidos. Se falavam durante todo dia, se ligavam todas as tardes, e nunca faltava assunto. Tão iguais que ele nem percebeu quando ela se sentiu segura, e por isso pisou no freio da relação.
Hoje, não se falam mais, não se veem mais, e só restou o vazio.
Pra ele. Porque dela, já não tinha noticias a meses.
Quando se aproximava das seis da tarde, parava o que quer que estivesse fazendo, e ia pra casa.
Ele podia levar algum trabalho, ou até ter que voltar pro escritório depois de um tempo, mas ao entardecer, tinha seu momento de reflexão. Chegava e largava a mochila sob a primeira cadeira a vista, e logo se dirigia ao armário para preparar o café. Colocava ainda inexperiente a água e o pó na cafeteira, presente de casa nova, e ia pra varanda com seu cigarro enquanto esperava o aroma do café denunciar que o ciclo tinha terminado.
E ali, naquela varanda, com o sol se pondo por trás das arvores, pensava sobre tudo.
Sobre o quão sobrecarregado estava no trabalho, sobre a falta que fazia estar de bem consigo mesmo, e sobre ela.
Ela que mal chegou, e nem deveria habitar seus pensamentos, era presença cativa em qualquer situação imaginária. Foram apenas algumas semanas, mas as melhores "algumas semanas" de muito tempo. Ele demorou a se entregar, até porque vinha de um longo relacionamento, e sabia que aquela menina, ainda mais nova que ele, não suportaria seu modo de ver e viver as coisas. Ele sempre soube que eram incompatíveis.
Ela, por sua vez, não perdoou. Insistiu, mostrou que podia dar certo, demonstrou não ligar para suas alternâncias de humor e pensamentos, e até pareceu gostar do que por vez ou outra ele arriscava escrever num bloco de notas aleatório. Tanto fez, que o ganhou de vez.
Mas eles eram muito parecidos. Se falavam durante todo dia, se ligavam todas as tardes, e nunca faltava assunto. Tão iguais que ele nem percebeu quando ela se sentiu segura, e por isso pisou no freio da relação.
Hoje, não se falam mais, não se veem mais, e só restou o vazio.
Pra ele. Porque dela, já não tinha noticias a meses.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
#72 - deixa.
Enquanto pagava a conta do bar, percebeu mais uma vez que precisava de uma carteira nova.
Aquela velha, surrada, que já estava com ele a longos anos e tinha vivido muitas histórias, não se aguentava mais, e por vezes se desfazia ao abrir.
"- Crédito ou débito? - perguntou o garçon?
- Coloca no crédito que depois a gente resolve."
E viu que tudo era assim em sua vida.
Depois a gente resolve. Se era difícil achar a carteira ideal, daquelas que coubesse todos os cartões, identidade, o (pouco) dinheiro, que fosse compacta e não incomodasse quando no bolso, imagina o tal do amor.
Deixa pra depois..
Aquela velha, surrada, que já estava com ele a longos anos e tinha vivido muitas histórias, não se aguentava mais, e por vezes se desfazia ao abrir.
"- Crédito ou débito? - perguntou o garçon?
- Coloca no crédito que depois a gente resolve."
E viu que tudo era assim em sua vida.
Depois a gente resolve. Se era difícil achar a carteira ideal, daquelas que coubesse todos os cartões, identidade, o (pouco) dinheiro, que fosse compacta e não incomodasse quando no bolso, imagina o tal do amor.
Deixa pra depois..
#71 -
O dia só estava começando.
Pouco mais de sete da manha, e ele dava andamento ao seu ritual matinal.
Saiu do banho ainda de toalha, fez seu café preto extra-forte, sentou a mesa de trabalho, e conseguiu apoiar a xícara entre os rascunhos imperfeitos de mais um livro sem certeza de ser publicado e a taça de vinho que ainda tinha os resquícios da "não inspiração" na noite anterior.
Pegou o cigarro, e antes de acender olhou pela janela do apartamento antigo e viu que seria mais um dia quente de verão no rio de janeiro, e lembrou que deveria logo consertar aquele ventilador que estava girando tão rápido quanto os ventiladores de repartição publica, e pensou que deveria parar de beber se quisesse terminar a tempo aquela tradução de mais um livro romântico que não era o dele. Enquanto levava o cigarro a boca, a campainha tocou.
Ela estava decididamente indecisa, e ele podia ver isso em seu olhar. Sem nem entrar pela porta, da qual não precisava de convite visto o quanto aqueles metros quadrados de Copacabana conheciam ela por inteiro. Antes mesmo do bom dia, despejou todos os medos que acumulava sem motivo desde os dias anteriores. Ele ouviu pacientemente, mas só conseguia pensar que ela tinha escolhido a roupa errada para aquela conversa. Ou não.
Enquanto ela falava, lembrava do dia em que a conheceu. Naquele uniforme. Aquela saia preta larga, pouco acima do joelho, unida daquela blusa social azul de finas listras verticais brancas, com manga 3/4. Caíram perfeitamente no corpo da nova secretária da editora. E desde o primeiro momento ele só pensava em tira-las. Hoje não era diferente.
Antes mesmo dela terminar seus argumentos um tanto quanto malucos, ele a puxou enquanto empurrava a porta, a colocou contra a parede e sem sequer deixa-la reagir, beijou-a como se fosse o ultimo beijo. Rolaram mais um pouco até a ponta da mesa, empurraram os papeis o suficiente apenas pra que tivesse lugar pra ela, sentada, de frente pra ele.
Enquanto a toalha caia e os beijos não cessavam, tirou-lhe a blusa sem o menor cuidado, jurando inclusive que tinha arrebentado alguns botões. Levantou sua saia o suficiente para colocar a lingerie rendada de lado, e ali, mais uma vez, foram um.
E não só ali, como também no sofá enquanto lhe puxava o cabelo e observava aqueles furinhos nas costas do qual ela tinha tanta desconfiança e ele amava. E também no chão da sala, enquanto a segurava firmemente pela cintura e via o suor lhe escolher do rosto, pelos seios, até se perder entre o vai e vem que lhe tirava a concentração.
Como numa cena de filme, estavam os dois ali, sobre o tapete, abraçados. Suados e sem se importar com isso, roupas jogadas pelo assoalho, olhando pro ventilador que nem de longe ajudou a cessar o incêndio que aquelas paredes acabaram de presenciar, enquanto o café, já frio, esperava e o tempo passava.
No fim, foram juntos para o banho, rindo de como tudo aquilo começou, sorriso no rosto que duraria o resto do dia, e a duvida se em meio a tanto tesão, haviam sequer encostado a porta da entrada.
Pouco mais de sete da manha, e ele dava andamento ao seu ritual matinal.
Saiu do banho ainda de toalha, fez seu café preto extra-forte, sentou a mesa de trabalho, e conseguiu apoiar a xícara entre os rascunhos imperfeitos de mais um livro sem certeza de ser publicado e a taça de vinho que ainda tinha os resquícios da "não inspiração" na noite anterior.
Pegou o cigarro, e antes de acender olhou pela janela do apartamento antigo e viu que seria mais um dia quente de verão no rio de janeiro, e lembrou que deveria logo consertar aquele ventilador que estava girando tão rápido quanto os ventiladores de repartição publica, e pensou que deveria parar de beber se quisesse terminar a tempo aquela tradução de mais um livro romântico que não era o dele. Enquanto levava o cigarro a boca, a campainha tocou.
Ela estava decididamente indecisa, e ele podia ver isso em seu olhar. Sem nem entrar pela porta, da qual não precisava de convite visto o quanto aqueles metros quadrados de Copacabana conheciam ela por inteiro. Antes mesmo do bom dia, despejou todos os medos que acumulava sem motivo desde os dias anteriores. Ele ouviu pacientemente, mas só conseguia pensar que ela tinha escolhido a roupa errada para aquela conversa. Ou não.
Enquanto ela falava, lembrava do dia em que a conheceu. Naquele uniforme. Aquela saia preta larga, pouco acima do joelho, unida daquela blusa social azul de finas listras verticais brancas, com manga 3/4. Caíram perfeitamente no corpo da nova secretária da editora. E desde o primeiro momento ele só pensava em tira-las. Hoje não era diferente.
Antes mesmo dela terminar seus argumentos um tanto quanto malucos, ele a puxou enquanto empurrava a porta, a colocou contra a parede e sem sequer deixa-la reagir, beijou-a como se fosse o ultimo beijo. Rolaram mais um pouco até a ponta da mesa, empurraram os papeis o suficiente apenas pra que tivesse lugar pra ela, sentada, de frente pra ele.
Enquanto a toalha caia e os beijos não cessavam, tirou-lhe a blusa sem o menor cuidado, jurando inclusive que tinha arrebentado alguns botões. Levantou sua saia o suficiente para colocar a lingerie rendada de lado, e ali, mais uma vez, foram um.
E não só ali, como também no sofá enquanto lhe puxava o cabelo e observava aqueles furinhos nas costas do qual ela tinha tanta desconfiança e ele amava. E também no chão da sala, enquanto a segurava firmemente pela cintura e via o suor lhe escolher do rosto, pelos seios, até se perder entre o vai e vem que lhe tirava a concentração.
Como numa cena de filme, estavam os dois ali, sobre o tapete, abraçados. Suados e sem se importar com isso, roupas jogadas pelo assoalho, olhando pro ventilador que nem de longe ajudou a cessar o incêndio que aquelas paredes acabaram de presenciar, enquanto o café, já frio, esperava e o tempo passava.
No fim, foram juntos para o banho, rindo de como tudo aquilo começou, sorriso no rosto que duraria o resto do dia, e a duvida se em meio a tanto tesão, haviam sequer encostado a porta da entrada.
#70 -
Olhando pra ele, tão vidrado na tela da tv enquanto passava a final do campeonato que nem via o mundo a sua volta, percebia o quão sortuda era.
Já tinham passado por alguns altos e baixos, confessa. Tambem em tantos anos de relacionamento, quem não passaria? Começaram cedo, e cedo partiram juntos pra conhecer o mundo. E com o mundo, conheceram o melhor e o pior um do outro.
Ele, não fazia planos sem ela. O cara mais inteligente, mais batalhador, mais dedicado, responsável e um infinito de bons adjetivos. Claro, tinha um defeitinho aqui, outro ali. Mas ela já tinha certeza que seria o homem da sua vida desde o momento que se conheceram.
Ela, sentia falta de emoção. Botava a culpa no tempo, botava a culpa no signo, botava a culpa no caralho que fosse (sim, também era desbocada), mas havia de reclamar da mesmice. Por mais que nunca tenha se dedicado pouco, amado pouco, tentado pouco, respeitado pouco.. Pelo contrário, tudo o que sentia por ele era muito, e era pra sempre.
E as vezes batia uma louca na cabeça dela, um olhar mais interessado, um flerte aqui, uma conversa no pé do ouvido ali, algo que fazia ela aumentar drasticamente o numero de cigarros fumados, ou exigir mais que o normal a presença dos amigos mais queridos (e das cervejas que os acompanhavam).
Mas tudo levava a esse momento. Ela olhando pra ele, admirada, arrependida até de ter imaginado sua vida sem ele. E ali, com ele ainda vidrado, com aquela camisa preta e o boné que mesmo sendo novidade tinha lhe caído como uma luva, percebia novamente o quão sortuda era, e que não existe emoção maior do que estar dia após dia ao lado do melhor homem do mundo.
E assim, de uma forma imperfeita, os dois se bastavam.
Já tinham passado por alguns altos e baixos, confessa. Tambem em tantos anos de relacionamento, quem não passaria? Começaram cedo, e cedo partiram juntos pra conhecer o mundo. E com o mundo, conheceram o melhor e o pior um do outro.
Ele, não fazia planos sem ela. O cara mais inteligente, mais batalhador, mais dedicado, responsável e um infinito de bons adjetivos. Claro, tinha um defeitinho aqui, outro ali. Mas ela já tinha certeza que seria o homem da sua vida desde o momento que se conheceram.
Ela, sentia falta de emoção. Botava a culpa no tempo, botava a culpa no signo, botava a culpa no caralho que fosse (sim, também era desbocada), mas havia de reclamar da mesmice. Por mais que nunca tenha se dedicado pouco, amado pouco, tentado pouco, respeitado pouco.. Pelo contrário, tudo o que sentia por ele era muito, e era pra sempre.
E as vezes batia uma louca na cabeça dela, um olhar mais interessado, um flerte aqui, uma conversa no pé do ouvido ali, algo que fazia ela aumentar drasticamente o numero de cigarros fumados, ou exigir mais que o normal a presença dos amigos mais queridos (e das cervejas que os acompanhavam).
Mas tudo levava a esse momento. Ela olhando pra ele, admirada, arrependida até de ter imaginado sua vida sem ele. E ali, com ele ainda vidrado, com aquela camisa preta e o boné que mesmo sendo novidade tinha lhe caído como uma luva, percebia novamente o quão sortuda era, e que não existe emoção maior do que estar dia após dia ao lado do melhor homem do mundo.
E assim, de uma forma imperfeita, os dois se bastavam.
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