Mais uma vez acordou meio atrasado. Sentou na cama ainda de samba cancao, como que esperando os olhos abrirem enquanto pensava nas tanta coisa pra resolver no escritório, e que, mesmo chegando antes do horário naquela quarta feira de outono, não tinha certeza se saia a tempo de ver o futebol com os amigos no bar da esquina. Hoje a partida era as 7 e tanta e ele odiava quando isso acontecia. - "Jogo do mengao tinha que ser sempre em horário nobre, oras." - E pensando nisso, balançou a cabeça e resolveu espantar a preguiça com um belo banho.
Na verdade nem reparou nela, ali do lado. Não era falta de amor, não era falta de tesão, até porque a noite anterior tinha deixado isso bem claro, era só mesmo o cotidiano já entranhado nos dois.
20 minutos de banho, depois mais 5 entre esfregar o espelho embaçado pra se enxergar e escovar os dentes fazendo caretas, até sentir o aroma do café. Café, o que faltava pra despertar. Colocou a toalha na cintura, e saiu atrás daquele cheiro, e do amor por trás daquele cheiro.
Por mais rotineiro que fosse, ele nunca cansava de agradecer por, dia após dia, espantar a preguiça com aquele café forte, feito por aquela moleca só de calcinha e que nunca perdeu a mania de usar as blusas dele de pijama.
E era ali, na varanda de vidro que sempre sonharam, com aquela vista do sol nascendo ao lado do unico morro que contrastava com os prédios da cidade, e o jardim vertical que cultivavam desde a primeira semana naquele apartamento, que ele ficava sem palavras para descrever a simbologia daquele café, e o quão importante era tudo aquilo, rotineiramente, como a melhor parte da sua vida.
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