Olhando pra ele, tão vidrado na tela da tv enquanto passava a final do campeonato que nem via o mundo a sua volta, percebia o quão sortuda era.
Já tinham passado por alguns altos e baixos, confessa. Tambem em tantos anos de relacionamento, quem não passaria? Começaram cedo, e cedo partiram juntos pra conhecer o mundo. E com o mundo, conheceram o melhor e o pior um do outro.
Ele, não fazia planos sem ela. O cara mais inteligente, mais batalhador, mais dedicado, responsável e um infinito de bons adjetivos. Claro, tinha um defeitinho aqui, outro ali. Mas ela já tinha certeza que seria o homem da sua vida desde o momento que se conheceram.
Ela, sentia falta de emoção. Botava a culpa no tempo, botava a culpa no signo, botava a culpa no caralho que fosse (sim, também era desbocada), mas havia de reclamar da mesmice. Por mais que nunca tenha se dedicado pouco, amado pouco, tentado pouco, respeitado pouco.. Pelo contrário, tudo o que sentia por ele era muito, e era pra sempre.
E as vezes batia uma louca na cabeça dela, um olhar mais interessado, um flerte aqui, uma conversa no pé do ouvido ali, algo que fazia ela aumentar drasticamente o numero de cigarros fumados, ou exigir mais que o normal a presença dos amigos mais queridos (e das cervejas que os acompanhavam).
Mas tudo levava a esse momento. Ela olhando pra ele, admirada, arrependida até de ter imaginado sua vida sem ele. E ali, com ele ainda vidrado, com aquela camisa preta e o boné que mesmo sendo novidade tinha lhe caído como uma luva, percebia novamente o quão sortuda era, e que não existe emoção maior do que estar dia após dia ao lado do melhor homem do mundo.
E assim, de uma forma imperfeita, os dois se bastavam.
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