quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

#71 -

O dia só estava começando.
Pouco mais de sete da manha, e ele dava andamento ao seu ritual matinal.
Saiu do banho ainda de toalha, fez seu café preto extra-forte, sentou a mesa de trabalho, e conseguiu apoiar a xícara entre os rascunhos imperfeitos de mais um livro sem certeza de ser publicado e a taça de vinho que ainda tinha os resquícios da "não inspiração" na noite anterior.

Pegou o cigarro, e antes de acender olhou pela janela do apartamento antigo e viu que seria mais um dia quente de verão no rio de janeiro, e lembrou que deveria logo consertar aquele ventilador que estava girando tão rápido quanto os ventiladores de repartição publica, e pensou que deveria parar de beber se quisesse terminar a tempo aquela tradução de mais um livro romântico que não era o dele. Enquanto levava o cigarro a boca, a campainha tocou.

Ela estava decididamente indecisa, e ele podia ver isso em seu olhar. Sem nem entrar pela porta, da qual não precisava de convite visto o quanto aqueles metros quadrados de Copacabana conheciam ela por inteiro. Antes mesmo do bom dia, despejou todos os medos que acumulava sem motivo desde os dias anteriores. Ele ouviu pacientemente, mas só conseguia pensar que ela tinha escolhido a roupa errada para aquela conversa. Ou não.

Enquanto ela falava, lembrava do dia em que a conheceu. Naquele uniforme. Aquela saia preta larga, pouco acima do joelho, unida daquela blusa social azul de finas listras verticais brancas, com manga 3/4. Caíram perfeitamente no corpo da nova secretária da editora. E desde o primeiro momento ele só pensava em tira-las. Hoje não era diferente.

Antes mesmo dela terminar seus argumentos um tanto quanto malucos, ele a puxou enquanto empurrava a porta, a colocou contra a parede e sem sequer deixa-la reagir, beijou-a como se fosse o ultimo beijo. Rolaram mais um pouco até a ponta da mesa, empurraram os papeis o suficiente apenas pra que tivesse lugar pra ela, sentada, de frente pra ele.

Enquanto a toalha caia e os beijos não cessavam, tirou-lhe a blusa sem o menor cuidado, jurando inclusive que tinha arrebentado alguns botões. Levantou sua saia o suficiente para colocar a lingerie rendada de lado, e ali, mais uma vez, foram um.
E não só ali, como também no sofá enquanto lhe puxava o cabelo e observava aqueles furinhos nas costas do qual ela tinha tanta desconfiança e ele amava. E também no chão da sala, enquanto a segurava firmemente pela cintura e via o suor lhe escolher do rosto, pelos seios, até se perder entre o vai e vem que lhe tirava a concentração.

Como numa cena de filme, estavam os dois ali, sobre o tapete, abraçados. Suados e sem se importar com isso, roupas jogadas pelo assoalho, olhando pro ventilador que nem de longe ajudou a cessar o incêndio que aquelas paredes acabaram de presenciar, enquanto o café, já frio, esperava e o tempo passava.

No fim, foram juntos para o banho, rindo de como tudo aquilo começou, sorriso no rosto que duraria o resto do dia, e a duvida se em meio a tanto tesão, haviam sequer encostado a porta da entrada.

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