quarta-feira, 23 de março de 2016

#86

Naquele dia 31, ela estava tão linda quanto o normal.

Mas talvez fosse a saudade, já que ela morava longe e não podia estar com ele antes por conta do trabalho; talvez fosse a casa pequena com mil parentes nessa época de virada de ano que não lhe davam privacidade nenhuma, ou até aquele vestido listrado preto e branco decotado, que realçava todas as melhores curvas do seu corpo, mas ele sabia que naquele dia a desejava como nunca.

Quando chegou em casa pra se arrumar, ela já estava pronta, e, abobalhado, a primeira coisa que conseguiu dizer foi: "como você está gostosa hoje". Tomou banho pensando mil coisas, mas não tinha imaginação suficiente pra prever o que viria.

As carícias começaram no corredor, e esquentaram no elevador sem preocupação nenhuma com o novo sistema de câmera que talvez até tenha substituído aquela câmera que ele sabia ser falsa, por uma de verdade. Já era impossível esconder seu tesão, evidenciado pela bermuda branca que marcava seu pau sem pudor algum.

Ele sabe eh que quando saíram, ao invés de pegar o caminho pra portaria, fizeram o inverso, direto pro banheiro social. E lá dentro, tudo ficou de lado. As promessas de ano novo, o make-up, o vestido listrado e a cueca da sorte. Aquele banheiro nunca teve um mix de amor e prazer tão intenso em seu pouco espaço interno.

Gozaram junto com os primeiros fogos da festa de virada. Nunca foi tão bom perder a entrada de ano. E pros que dizem dar azar, afirmam que nunca começaram um ano tão bem.

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