- de onde você tira essas coisas que escreve? Tipo, qual sua inspiração? - ela perguntou enquanto recostava em seu peito e tinha os cabelos levemente afagados.
Ela sempre fazia umas perguntas estranhas no pós sexo. As vezes fazia até ele pensar se durante tudo aquilo, aquele furor inexplicável, aquela troca de gemidos, prazer, fluidos e tantas outras coisas, ela estava com a cabeça em outro lugar.. Mas nunca tinha feito uma pergunta tão difícil.
Difícil porque nem ele sabia a resposta. Não tinha certeza dos motivos ou porquês, até porque não tinha certeza de nada na vida. As vezes era uma situação, as vezes uma música, uma história que ouviu de alguém, ou algo que viveu com alguém.
Só sabia que tinha que ter sentimento. Tinha que tocar o coração. Tinha que ser algo pelo que valesse a pena escrever, e ao mesmo tempo algo quase impossível de descrever ao escrever.
Quando tal coisa vinha na cabeça, ele não sossegava até registrar. A história martelava em sua cabeça até ser posta no papel. Ele se via na história, e por escrevia como se estivesse lá, pra não dizer que se colocava algumas vezes no lugar dos personagens.
E depois de pensar tudo isso numa fração de segundos, respondeu:
- sei lá.
Porque ele queria curtir aquele momento sem grandes complicações. Só os dois ali, deitados nus no tapete da varanda, olhando pra lua através do teto de vidro, enquanto pensava que aquela noite, desde o mal entendido sobre o ponto de encontro, passando pelo cinema e depois o jantar feito por ele no apartamento novo semi-mobilidado, e que incluía tudo o que ela mais gostava gastronômicamente falando; daria um bom conto.
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