Ela não queria saber do café.
Entrou no apartamento e foi direto pra geladeira, pegou aquela cerveja geladíssima guardada naquela gavetinha embaixo do freezer que ninguém sabe direito pra que serve, mas ela encontrou a utilidade perfeita.
O dia tinha sido bom, e ela queria manter assim. Nada de deixar a tristeza bater ao chegar em casa e se ver sozinha diante da paisagem urbana dos altos edifícios que cercava a Varandinha de seu AP. Um achado, num prédio antigo e sem elevador, bem no coração da cidade.
Colocou uma música alta que poderia até incomodar os vizinhos, mas não ligou. Começou a adiantar o pouco trabalho que tinha trazido pra casa, e depois ficou igual uma louca dançando sozinha na sala vendo o dvd do coldplay na TV.
Foi quando ouviu umas batidas tímidas na porta, quase inaudíveis em meio aos seus próprios gritos acompanhando "viva lá vida". E não entendeu nada quando abriu a porta e deu de cara com aquele rapaz de camisa cinza e boné vermelho, com uma barba cerrada e sorriso sem jeito, que já chegou dizendo:
- Oi, desculpa. Eh que ouvi a musica, e sou novo aqui no prédio, queria saber se posso participar da festinha. Olha, trouxe até cerveja !
Foi então que sorriu meio que dizendo que sim. E pensando que talvez de agora em diante pudesse fugir da solidão a dois.
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